ARS COQUINARIA releva que a Arte Culinária enquanto acto distinto da mera alimentação é uma manifestação não só reveladora do ilimitado potencial criativo do ser humano como essencial à sua própria existência e que só se completa quando congrega outras formas de arte (artes visuais, música, poesia, etc.). A vossa colaboração é essencial, contribuam e divulguem aos vossos amigos. E-mail: arscoquinaria@gmail.com

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sábado, 23 de fevereiro de 2008

ARS COQUINARIA (15) : Mousse de manga



Mousse de Manga
(receita sem natas)


Ingredientes:
- 1 lata de polpa de manga de ca de 1kg. (peso líquido: ca. 800 g) ou, melhor ainda, manga natural descascada e triturada em puré perfazendo igual peso
- 3/4 iogurtes naturais (de preferência “bifídus”)
- 1 lata de leite condensado
- 3/4 folhas de gelatina branca
- 1,5 dl de água

Utensílios:
- 1 frigideira
- 1 taça grande ou saladeira tipo pirex (de preferência opaca, de cor branca, sem desenhos)
- 1 "varinha mágica" ou uma colher grande para bater

Confecção:
Colocar as 3 folhas de gelatina numa frigideira inox, e juntar-lhe 1,5dl de água fria, esperando que as folhas amoleçam. Passados escassos minutos, aquecer em lume brando, mexendo sempre até completa dissolução. Completada esta operação, apaga-se o lume, coloca-se de lado e espera-se que arrefeça.
À parte, numa taça grande, despejam-se a polpa, os iogurtes e o leite condensado, e mistura-se tudo com a "varinha mágica" (ou energicamente com uma colher grande) até ficar homogéneo, altura em que se junta a gelatina previamente dissolvida, voltando a usar a "varinha mágica" (ou mexendo sempre) até ficar tudo bem misturado.
Cobre-se então a “boca” da taça com uma película de celofane transparente e coloca-se na parte intermédia do frigorífico, deixando aí permanecer algumas horas até solidificar (mínimo de 5 horas) antes de servir.

Acompanhamento musical:

Salif Keita (1949-)
– Soro / Salif Keita, [et al.]. - 1 CD. - Mango, 1987
– Ko-Yan / Salif Keita [et al.]. - 1 CD. - Mango, 1989

Youssou n’Dour (1959-)
– The guide : wommat / Youssou n'Dour, [et. al.]. - 1 CD. - Columbia, 1997. - inclui a canção “7 seconds”, com Neneh Cherry
– Set / Youssou n´Dour, [et al.]. - 1 CD. - Virgin, 1990

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

ARS COQUINARIA (14) : Cake meets Don Giovanni in 2 Acts


BOLO DE BOLACHA TRADICIONAL




Ars Coquinaria inicia o novo ano com um doce tradicional - o conhecido bolo de bolacha, mas que, por existirem muitas variantes, entendemos deixar aqui a nossa preferida. Esta é talvez a mais simples de todas, mas gostando nós muito deste doce não apreciamos as receitas que o pretendem transformar numa especie de "albergue espanhol" onde tudo cabe (nomeadamente quando lhe acrescentam bebidas espirituosas - licor de café, vinho do Porto, groselha, etc. -, colocam excesso de açucar, o cobrem com doce ou geleia de frutas, ou misturam outros tipos de ingredientes).



Ingredientes:
- 250 gramas de manteiga
- 200 gramas de açucar branco
- 3 pacotes de bolachas "Maria" (passe a publicidade não paga, recomendamos a marca "Vieira", são mais caras mas resultam melhor)
- 1-2 ovo(s) (consoante o seu tamanho), bem frescos
- 4 colheres de sobremesa de "café" solúvel de cevada ou de "mistura" (máx. 30% de café)
- 1/2 litro de água (para dissolver o "café")
- 10 Kgs de paciência
- Boa disposição do "pasteleiro"

Utensílios
:
- 2 recipientes de vidro tipo pyrex (desaconselhamos o plástico para evitar a impregnação de cangerígenos ftalatos no creme em consequência da fricção; e também a cerâmica, por causa da libertação de chumbo e sílica que entram na composição do vidrado)
- 1 Cafeteira
- 1 Prato de sopa (de preferência tipo pyrex)
- 1 Base para o bolo (travessa circular ou quadrada, de preferência em vidro translúcido)
- Varinha mágica (para o creme)
- Batedeira (para as claras)
- Picadora (para a cobertura) - pode ser substituída por um moinho de café
- 1 caixa ou outro recipente contentor baixo e largo (para juntar as bolachas retiradas dos pacotes)
- 1 colher de sopa
- 1 faca (para barrar o creme)


Preparação
:



1.º Acto


Cena 1
Coloca-se a manteiga num recipiente de vidro, à qual se juntam as 200 grs. de açúcar e 1-2 gema(s) de ovo(s). Com a varinha mágica na velocidade de 500-600 r.p.m, procede-se a uma mistura preliminar destes ingredientes (dada a consistência da manteiga e do açúcar há que ter cuidado em não deixar queimar a resistência da varinha mágica, parando para arrefecer o aparelho as vezes que forem necessárias, sobretudo se não for muito potente nem de boa qualidade).
Deixa-se a repousar e, num recipiente à parte bate(m)-se a(s) clara(s) "em castelo" (até ficarem bem firmes), após o que se juntam ao creme, voltando a batê-lo com a varinha mágica até este ficar bem homogeneizado (sem vestígios do granulado do açúcar).

Cena 2

Quase em simultâneo, ou mesmo antes, ferve-se o meio litro de água na cafeteira, após o que se dissolvem nela as 4 colheres de sobremesa de "café" solúvel de cevada ou de "mistura", sem adicionar açúcar. Deixa-se arrefecer o líquido obtido num prato de sopa.



2.º Acto



Prelúdio
Na mesa de cozinha, dispõem-se a travessa, o recipiente com o creme, o prato de sopa com o "café" e a caixa com as bolachas "Maria"


Cena 3
Molha-se uma bolacha de cada vez no “café”, sempre com muito cuidado para não se desfazer, e vão-se colocando na travessa juntando umas às outras, dispondo (a gosto desde que juntas umas às outras) uma primeira camada de bolachas (ca de 19 bolachas), e sobre elas barra-se o creme. Coloca-se por cima uma nova camada de bolachas e repete-se o barramento. E assim sucessivamente, sempre em camadas alternadas de bolachas e creme, fazendo o bolo crescer em altura até quase se acabar o creme, deixando, no entanto, o suficiente para cobrir o topo (sobre as “torres” de bolachas, mas também a tapar os espaços entre elas) e a espalhá-lo lateralmente. Completado a operação de barramento final, espalha-se sobre a cobertura o produto de 2 bolachas previamente tritudas na picadora (de modo a ficar “tipo serradura”) .

Última cena

Coloca-se a travessa com o bolo no frigorífico durante 4 h, período findo o qual estará pronto a servir (aconselhamos a cortar em fatias finas, usando uma faca larga sem “dentes”)


Acompanhamento musical obligato
:

Don Giovanni
, k. 527 [ópera em 2 actos] / música de Wolfgang Amadeus Mozart ; libretto de Lorenzo da Ponte. - Título original da obra: Il dissoluto punito o sia il Don Giovanni. – Première no Nationaltheater, Praga, 29 de Outubro de 1787. – 3 CD’s. – banda sonora do filme "Don Giovanni", de Joseph Losey. – Cop. 1979, reedição em CD pela Sony, 1990. – com Ruggiero Raimondi, Kiri Te kanawa, Edda Moser, José van Dam, Teresa Berganza, John Macurdy ; Choeurs & Orchestre de Paris, dir. Lorin Maazel. – cf. http://www.amazon.com/Mozart-Giovanni-Raimondi-Kanawa-Berganza/dp/B0000025CF

N.R.: Esta é, quanto a nós, a melhor gravação produzida até hoje desta genial obra de W.A. Mozart, apesar de injustamente desprezada pela crítica institucional ( suspeitamos que pelo facto de ela ter sido criada para banda sonora da muito contestada - pelos eternos "puristas" que acham que a ópera não deve ser adaptada para o cinema - mas primorosa realização cinematográfica de Joseph Losey). Existe também uma edição em DVD deste filme.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

ARS COQUINARIA (8) : British Classic Scones


Correspondendo ao nosso pedido, Teresa Guerra aceitou partilhar com o Ars Coquinaria a receita dos seus maravilhosos scones, para que todos possam desfrutar de uma óptima goluseima de muito fácil execução e que, servida com moderação, mesmo que regularmente provada não atenta contra a boa forma física (Ars Corporalis imperatur).


SCONES (receita inglesa)


Ingredientes:
- 375 gr. farinha
- 80 gr. açúcar
- 50 gr. manteiga
- 1 ovo
- 2 dl leite
- 1 colher chá sal fino
- 2 colheres de chá de fermento em pó

Preparação:
Mistura-se tudo muito bem com uma colher de pau. Descansa 5 minutos. Com uma colher de sopa dispõem-se montinhos num tabuleiro previamente untado com manteiga e polvilhado com farinha. Dá para 10 scones. Vão ao forno, já quente, mais ao menos 15 m em lume médio (até alourarem).
Depois de feitos, os scones devem ser consumidos ainda quentes com um "barramento" doce a meio. Sugere-se: com manteiga e doce de laranja amarga, marmelade, de preferência!; ou, ainda, com açúcar granulado aspergido com sumo de limão.

Sugestões de acompanhamento líquido:

- preferencialmente: Chá darjeeling (dos Himalaias), de preferência da marca Ridgways (passe a publicidade não encomendada, trata-se do melhor darjeeling que conhecemos, vende-se apenas em lojas/secções "gourmet"). Condição essencial para apreciação deste tipo de chá: beber sem açúcar

- boa alternativa: Chá verde (ainda, se possível, da mesma marca, a beber sem açúcar)

- outros chás sem adição de quaisquer aromas artificiais (estes já suportam, e nalguns casos, até é recomendável o uso de açucar a gosto)
Obs.: o chá poderá levar umas gotinhas de leite depois de estar servido na chávena, à boa maneira inglesa.


Sugestão de acompanhamento musical (only british music):

- ao pequeno-almoço: ELGAR, Edward (1857-1934) - Pomp and Circumstance, op. 39, marches 1-5 ; Enigma variations, op. 36 ; Cockaigne overture [1 CD] / London Philharmonic Orchestra ; Chicago Symphony Orchestra, dir. Sir Georg Solti. - 1987. - Decca. - (Ovation)

- ao lanche: Fantasia Lindum [1 LP] / Amazing Blondel. - LP Islands, 1971 : CD Edsel, 1993 ; ou England [1 LP] / Amazing Blondel. - LP Islands, 1973 : CD Edsel, 1996 ; ou Englische Musicke [1 CD] / Amazing Blondel. - CD Edsel, 1993

- à ceia: Islands [1 LP] / King Crimson. - LP Islands, 1971 : CD Discipline Us, 2004.

- à sobremesa: BOYCE, William (1711-1779) - 8 Symphonies [1 CD] / The English Concert, dir. Trevor Pinnock. - 1990. - Archiv Produktion

Enjoy!
Fast food yes, but not plastic food!

terça-feira, 19 de junho de 2007

ARS COQUINARIA (4)


Sobremesa secreta


De um novo amigo do Ars Integrata, José Alexandre E., recebemos uma receita exclusiva para os nossos leitores. Transcrevendo:

«Gostaria de enviar a todos os nosos amigos uma sobremesa secreta que aprendi há já algum tempo. Depois de ter pensado e repensado é chegado o momento de a revelar, sei que esta vai alterar a vida de muitas pessoas a vários níveis se bem utilizada.

Porquê ?

1º Porque é económica
2º Porque é ultra rápida (eu sei .., eu disse ultra rápida - 10 a 15 m para os menos exprerientes)
3º Porque é muito fácil de executar
4º Porque vão chorar por mais
5º Porque sobretudo até o meu irmão a comeu e chorou por mais.... e chorou...chorou...chor...
6º É um sucesso garantido em todos os sitios onde passei.

Estas são as 6 das 7 razões para o seu segredo. A última e principal razão desta receita ser um segredo é devido ao facto de eu não conseguir explicar o inexplicável, que só pode ser obtido através de uma reacção de quem atrever-se a executá-la. É por isso que fico a aguardar por um feedback pela 7ª razão, de quem tiver a coragem de a por em prática.

P.S.: Estou neste momento no final de uma pesquisa de uma outra receita que vem de um continente com frutas tropicais. Espero ter noticias em breve.

Ingredientes:
- 4 unid. - Folhas de gelatina (se forem folhas finas finas coloque o dobro)
- 1 Lt - Leite condensado
- 1 pct - Bolacha maria triturada
- 2 pct - Natas p/ bater

Preparação:
Colocar em banho-maria o leite condensado (tacho com água e outro mais pequeno colocado no seu interior com o leite consensado).
Importante: deve ir mexendo sempre o leite condensado para que não queime.
Colocar a gelatina de molho (qualquer coisa onde ela possa ficar submersa em água).
Triturar a bolacha maria (pode ser num robot ou então à mão desde que fique moída) e colocá-la num fundo de uma forma com altura razoável para que caiba lá o creme.
Bater as natas até elas ficarem consistentes (se fosse bater claras, eu diria até ficarem em castelo)
Ao fim de 10 m a 15 m colocar a gelatina espremida e voltar a mexer até ela desaparecer.
Retirar do lume e deixar arrefecer o mais possível (para ser mais rápido o arrefecimento pode colocar o tacho do leite condensado dentro de um recipiente com gelo)
Depois de arrefecido envolver as natas (envolver = mexer muito lentamente) para que não perca a sua consistência no leite condensado.
Colocar o creme na forma e em seguida no frigorífico até que ela fique presa.
Espere o momento certo, desenforme para uma travessa e obtenha os resultados desejados.

Convém que não a experimente sozinho.»

quinta-feira, 14 de junho de 2007

ARS COQUINARIA (2): A delicious chocolate cake


Bolo de chocolate (receita italiana)

Pela mão da nossa amiga Teresa W., que generosamente quis partilhar com os leitores do Ars Coquinaria uma das suas muitas especialidades:


Ingredientes:
250 gr chocolate em barra (Pantagruel por ex.)
100 gr. manteiga
100 gr. açúcar
4 ovos
1 colher sopa farinha de trigo
1 colher de sopa de fécula de batata

Confecção:

Batem-se as gemas com o açúcar até fazer bolhas. Derrete-se no micro-ondas o chocolate com a manteiga e mistura-se com as gemas que já estão batidas com o açúcar. Bate-se tudo. Misturam-se as farinhas e no fim juntam-se as claras em castelo, bem firmes.
Vai ao forno numa forma baixa, tipo tarteira, untada com manteiga e polvilhada com farinha, e só coze aproximadamente 15 m. Deve ficar com os bordos despegados da forma, mas pouco cozido.
Depois de frio, com a faca cortam-se diagonais para a direita e diagonais para a esquerda de modo a fazerem-se losangos. Polvilha-se o bolo com Icing Sugar dentro de um passador para ficar bem espalhado. A altura do bolo deverá equivaler a 3 cm.
Ao servir, separam-se os losangos (não se corta o "bolo às fatias").

terça-feira, 12 de junho de 2007

ARS COQUINARIA (1): Living Penne with blue candles


Para este acto inaugural contámos com a valiosa oferenda de duas receitas originais de Luísa Jacobetty, directora da revista blue Living (ver em http://www.blue.com.pt/living.htm )

Living Penne (para 6 pessoas)

Ingredientes:
600 gr de Penne
200 gr de salmão fumado
2 embalagens de requeijão de Alcains (pode ser outro, mas este é muito bom)
Uns pés de Alecrim e Tomilho fresco
Sumo de meio limão
Azeite
Flor de Sal
Confecção:
Enquanto a massa (penne) coze, esprema o limão, e tempere o salmão com o sumo, o alecrim, e o tomilho. Esmague então o requeijão, a que se acrescenta azeite que baste para que este "molho" fique em creme. Quando a massa estiver cozida, escorra e deixe arrefecer enquanto corta o salmão em pedacinhos. Junte-o ao requeijão desfeito e deite este molho sobre a massa quando esta estiver fria. Pode juntar mais azeite e alecrim e tomilho quando for servir.

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Sobremesa: "blue candles"


Faz-se em 5 minutos, é saudável, doce, e tem bom aspecto.
Lavam-se e separam-se do pé as uvas em número que chegue para cada pessoa. Contam-se 5 nozes por pessoa, partem-se um pouco, deitam-se sobre as uvas e cobre-se com um fio de Maple Syrup.
Já está! (A razão de ser maple syrup é o sabor intenso deste xarope. Talvez também fique bem com mel..)